BAR MITZVA - HUZEFF ZLOCHEVSKY

Existe idade limite para um homem fazer bar-mitzva?
Esta foi a pergunta que originou um projeto muito especial. O desejo de fazer uma comemoração significativa dos 90 anos de vida de Huzeff Zlochevsky se juntou à questão
inicial e imediatamente a resposta afirmativa pareceu fazer todo sentido.
Ao imigrar da antiga União Soviética, nos anos 1920, a família Zlochevsky acabou por se
instalar na pequena cidade de Caçapava, no estado de São Paulo.
A comunidade judaica local era inexistente, assim como as opções de ensino também.
Desta forma, o sr. José, ou Zé Russo como era conhecido, mandou seus dois filhos homens,
Marcos e Huzeff para um colégio interno, na cidade próxima, Lorena. Lá os meninos foram
apresentados às tradições cristãs, mas por mais que os padres se esforçassem, os filhos
do Zé Russo permaneciam fiéis ao judaísmo.
Os anos passaram, os meninos cresceram e Huzeff acabou se envolvendo com trabalhos
comunitários nas instituições judaicas de São Paulo. Trabalhou na Agência Judaica, criou um dicionário português-hebraico / hebraicoportuguês – com o objetivo de ajudar os brasileiros que desejavam imigrar para Israel –, coordenou um curso de hebraico para os adultos que desejavam aprender o idioma, sua esposa Genny trabalhou por mais de 30 anos numa escola judaica, enfim, por mais de 40 anos, participou de projetos da comunidade judaica paulistana. 
Como então, um homem que sempre esteve envolvido com as tradições judaicas, poderia
passar por esta vida sem ter o seu próprio bar-mitzva?
Apoiado pelo rabino Iehuda Gitelman, da Sinagoga Beth El, recebeu seu trecho da parachá do dia, que foi estudada com todo empenho.
No dia 11/3/17, aos 90 anos recémcompletados, Huzeff Zlochevsky foi chamado oficialmente para a sua leitura da torá. Seus familiares puderam vivenciar uma cerimônia extremamente emocionante e testemunhada também pelos membros da sinagoga que frequentam rotineiramente as rezas, aos sábados pela manhã.
O ponto alto, sem dúvida, foi quando seu filho Marcelo, que já teve o privilégio de abençoar seu filho Rony, na ocasião do bar-mitzva, pôde abençoar também o pai.
A lição aprendida naquela cerimônia, além da mais óbvia que se refere ao fato de todo judeu ter o direito de celebrar seu bar-mitzva, independentemente de sua idade é que o conceito de família está intimamente ligado à transmissão das tradições, base indispensável do judaismo.
A Sinagoga Beth El teve a oportunidade de sediar uma das cerimônias mais emocionantes de bar-mitzva da comunidade de São Paulo e mostrou o verdadeiro sentido de celebrar os melhores valores da religião judaica.
Há quem acredite que as coisas não acontecem por acaso, então como que por magia do destino, numa megalópolis como São Paulo, a Sinagoga Beth El se localiza extatamente na rua Caçapava, como se quisesse fechar este ciclo de maneira ainda mais significativa!