TIKUN OLAM

Os cabalistas, mestres do misticismo judaico, ensinam que antes da Criação do universo, a Luz de Deus Infinito, Or Ein Sof, preenchia toda a realidade. Quando Deus decidiu criar o mundo, Ele retraiu a Sua Luz Infinita de um determinado ponto, criando um “vácuo”, e cedendo espaço para a Sua Criação. Dentro desse espaço, Ele criou o mundo, receptáculos designados para receber a Luz Divina. Mas o universo não conseguiu resistir à intensidade da emissão de Luz Divina, e então se estilhaçou. Todo o recém-criado universo entrou num estado de caos, onde a luz e a escuridão poderiam então coexistir.

A Cabalá explica que o nosso mundo é fruto dos receptáculos estilhaçados, e que o propósito de toda a existência é elevar o mundo para que ele possa finalmente conter a Luz Divina. Os cabalistas chamam esse conceito de TIKUN OLAM – “o conserto do mundo”.

O fundamento da religião judaica é, portanto, a conscientização de que o mundo foi criado com propósito.

Deus criou o mundo para que este resplandeça em sua Luz Infinita, mas só ao ser humano foi dada a missão de possibilitar isso. Ele deseja ser encontrado no mundo físico que criou e, desta forma, permeá-lo com a Revelação de Sua Bondade Infinita. Mas, para que isto possa ocorrer, o homem, através de suas boas ações, precisa fazer do mundo um receptáculo apropriado para a Luz Divina. Esta é a explicação, dentre o conhecimento humano, para explicar a razão e o propósito de toda a Criação.

A festividade de Shavuot, que é comemorada durante dois dias, começa no sexto dia do mês de Sivan do calendário hebraico e comemora a primeira e única vez em que o Criador se revelou abertamente diante de um povo. A libertação dos judeus do Egito e todos os seus surpreendentes milagres e salvações foram meros prelúdios que levaram a esse evento de significado infinitamente maior.

A Torá relata que a Revelação de Deus diante do povo judeu foi um evento dramático e estremecedor, anunciado por uma nuvem de fumaça, relâmpagos, trovões e toques de Shofar.

A Torá que temos hoje, quer em sua forma Escrita quer na Oral, originou-se do Monte Sinai e foi transmitida de geração a geração.

A Torá não é um livro de histórias sobre a tradição e a cultura judaica. Contrariamente ao que se pensa, o propósito fundamental da Torá não é incutir a disciplina e a moralidade no mundo. A obrigação de ser justo não é exclusividade do povo judeu. O fato de a Torá ter servido, posteriormente, de base para o humanismo, a moralidade, a justiça e a bondade para grande parte da humanidade foi a consequência e, não, a causa da sua outorga.

O propósito todo da Torá – de seus 613 mandamentos - é servir como uma ponte física entre o homem e o Infinito. É o meio de Tikun Olam - de se consertar os receptáculos quebrados para que o mundo físico possa ser permeado com a Infinita Luz Divina. Assim sendo, em Shavuot, o dia da outorga da Torá, celebramos toda a razão de ser da existência.

Shabat Shalom Ve’ Chag Sameach