A Religiosidade de Albert Einstein (2)

por Pedro Luiz Mangabeira Albernaz

Um amigo argentino me enviou um livro escrito por um cientista de Buenos Aires, Diego Golombek, que se chama “Os Neurônios de Deus.” É um estudo sobre a religião. Mas seu método de estudo foi científico, não filosófico. E assim ele estuda os neurônios de Deus, os genes de Deus, a ciência de Deus...

Achei muito interessante a sua citação de um diálogo que ocorreu entre Einstein e Rabindranath Tagore, o poeta, romancista, músico e dramaturgo hindu que, em 1913, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura. Entre outras coisas, conversaram sobre religião.

Einstein: Você acredita no divino como algo isolado do mundo?

Tagore: Não, não de maneira isolada. A personalidade infinita do homem abrange o universo. Não há nada que não possa ser incluído na personalidade humana e, assim sendo, a verdade do universo é a verdade humana.

Einstein: Esta é uma concepção puramente humana do universo.

Tagore: Não pode haver nenhuma outra concepção. O mundo é humano e a visão científica do mundo é a do homem cientista. Há um padrão de razão e felicidade que lhe confere validez. Se existisse algum tipo de verdade sem relação com a mente humana, ela não teria nenhum significado, na medida em que continuaríamos sendo seres humanos.

Einstein: Então eu sou mais religioso do que você!