A Religiosidade de Einstein (1)

Pedro Luiz Mangabeira Albernaz

Recentemente o Huffington Post publicou um artigo sobre Albert Einstein, escrito por Carol Kuruvilla, editora associada para assuntos religiosos. Ela nos conta, com base nos escritos de Einstein, que ele foi influenciado por Baruch Espinoza, o pensador que nos brindou com a filosofia do  Panenteísmo – Deus está presente em todas as coisas, em tudo que existe.  

“Acredito no Deus de Espinoza,” escreveu Einstein a um rabino de Nova York em 1929. “Acredito em um Deus que se revela por meio da harmonia do universo, não em um Deus que se preocupa com os destinos e as ações da humanidade.”

Durante uma entrevista em 1954, Einstein nos ofereceu uma linda e sucinta explicação sobre as suas idéias acerca de um grande poder superior:

“O que podemos vivenciar da maneira mais linda é o Misterioso – o conhecimento de que existe algo que nos é incompreensível, a manifestação da Razão mais profunda, acoplada à mais brilhante das belezas. Não posso imaginar um Deus que recompensa ou pune os objetos de sua criação, ou que possui vontades do tipo que nós mesmos podemos exprimir. Sinto-me satisfeito com o mistério da eternidade da vida e com a percepção da perfeita construção do universo em que vivemos. E sinto-me contente com a nossa profunda determinação de tentar compreender uma parte, por pequena que seja, das coisas que se manifestam na natureza. Este é o fundamento da religião cósmica, e me parece que o objetivo mais importante da arte e da ciência é o de despertar este sentimento nas pessoas receptivas, a fim de mantê-lo vivo.”