O mês de Adar, mês da alegria. מי שנכנס אדר מרבין משמחה

Na ultima 3ª e 4ª feira começamos um novo mês do calendário. O mês de Adar. O mês da alegria.

A tabela de equivalentes entre o mundo o tempo e o homem, os sábios relacionam essencialmente o mês de Adar com o sorriso e a alegria.

No Talmud – Taanit 28. -  podemos observar que se recomenda aumentar a alegria, buscando uma percepção mais apurada daquilo que já nos alegra. Não nos indicam abandonar um estado de tristeza ou de indiferença e nos alegrar, e sim fortalecer algo existente. Em poucas palavras, nos referimos a uma alegria básica presente durante todo o ano, e que neste mês deve crescer.

Devemos distinguir entre dois conceitos que muitas vezes se misturam: o sorriso e a alegria.

A alegria - em hebraico, simchá - é uma corrente energética interior, íntima, relacionada em muitas passagens bíblicas ao coração da pessoa. O coração experimenta a alegria.

Exatamente o mesmo acontece no caso da tristeza, que também é vivenciada pelo coração.

O riso - em hebraico, tzchok - é a exteriorização da alegria, associada a boca na linguagem bíblica.

Quando o riso se reduz a expressar fielmente a alegria interior, ele possui um valor realmente próprio já que é um reflexo da alegria que vem interior, do coração. Um riso independente da alegria interior. Um riso da boca para fora.

Uma alegria descontrolada busca desesperadamente romper e transcender os limites da própria existência. Quando experimentamos esta alegria tendemos a abandonar nossas preocupações. A alegria e o limite se rechaçam mutuamente, a diferença da tristeza que se aferra ao limite com toda sua força.

Ambas as energias representam duas posturas frente à vida, dois modos de enfrentar a realidade que nos rodeia.

Aquele que só capta o limite, aquele que sempre se detém na fronteira da realidade física, enche sua boca de sorrisos. Seu limite limita.

Todo o tempo que em nossa mente o limite ainda limita, corremos o risco de nos rir da boca para fora. Mas também vale a pena correr este risco. O que podaríamos perder?

Shabat Shalom!!!

Rabino Iehuda Gitelman.