GUIA DE CHANUKÁ

Fazendo historia

No século IV AC, Alexandre o Magno, com seu exército grego conquistou o Oriente Próximo, anexando a Judea aos seus domínios. Com sua morte, em 323 AC, o império se desmembrou, ficando a Terra de Israel sob o controle da dinastia selêucida, proveniente da Síria.No princípio a nova ordem não causou maiores dificuldades. Apesar de cobrarem impostos e pedirem lealdade ao governo, permitiam uma certa autonomia religiosa e cultural. Mas, apesar da falta de coerência, ou talvez devido a ela, apareceram os primeiros problemas.

Os sírios traziam à terra de Israel a cultura grega. Uma cultura pagã que enfatizava a estética em detrimento da ética; a beleza e a força física no lugar dos valores espirituais e morais. A helenização propunha uma forma de vida incompatível com a vida judaica. Mas dissemos que não havia coerência: sírios helenizados e judeus deviam conviver e alguns judeus, sobretudo os da classe alta, começaram a sentir- se atraídos pela cultura estrangeira, a pesar de uma grande maioria permanecer fiel a seu judaísmo. Como começava a assimilação.

Por volta do ano 169 AC, o rei Antiocus IV decidiu acelerar a helenização do semi- autônomo estado judeu. Para isto construiu uma polis em Jerusalém. Estabeleceu o culto pagão no Templo, realizou sacrifícios de carneiros no altar, proibiu o estudo da Torá, a observância do Shabat e a circuncisão (desta época provém a leitura da Haftará: por não poder ler a parashá de Torá a cada semana, começaram a ler trechos do livro dos profetas, o que não era proibido. Este costume segue até os dias de hoje). Os judeus fies a sua fé e muitos helenistas moderados viram-se ante um dilema: helenizar-se ou resistir.

No ano de 167 AC, os gregos entraram em Modiim, um pequeno povoado perto de Ierushalaim.
Um sacerdote chamado Matitiahu, da família dos Chasmoneos, viu um judeu helenizado levar um carneiro para o sacrifico. Matitiahu apunhalou o apóstata ( judeu que abraça outra religião), matou o agente sírio e destruiu o altar pagão. Este ato marcou o inicio da revolta. Matitiahu fugiu para as montanhas com seus cinco filhos (Iehuda, Jonatan, Shimon, Eleazar e Iochanan) e a eles se uniram, pouco a pouco, outros judeus que desejavam viver de acordo com as leis da Torá.

Matitiahu, já idoso, morreu pouco tempo depois e seu filho Iehuda passou a liderar o grupo como Iehuda, o Macabeu (macabi significa martelo. Também é o acróstico de Mi Kamocha Baelim A’donai: quem é como tu, oh D-us?). Foi ele quem organizou as guerrilhas. Mas quem eram os "soldados" de Iehuda Macabi? Um punhado de camponeses desarmados, pobres e incultos. O extrato mais baixo e vulnerável da sociedade. Todos lutando contra um exército profissional e organizado.  A ação destes grupos de camponeses conseguiu polarizar mais pessoas da população e, cada vez mais, judeus piedosos e helenistas moderados optaram por unir-se a eles.

Passaram anos de sangrentas batalhas, onde a familiaridade com o terreno, a simpatia da população e, basicamente, a sensação de lutar pela vida ou a morte, foram fatores a favor dos hebreus.

Finalmente, Iehuda Macabi e seus homens entraram vitoriosos no grande Templo de Jerusalém. Destruíram o altar, os utensílios profanados e construíram outros para rededicá-los ao culto judaico. Aos 25 de Kislev do ano 165 AC, acenderam pela primeira vez em muitos anos a Menorá, o candelabro de ouro de sete braços, que simboliza a permanência eterna do povo judeu. Uma vez construído e reconsagrado o templo, os Chasmonaim festejaram durante oito dias.

O QUE É CHANUKA

Que tivemos até aqui? Uma história que não nada mais é uma série de milagres: o milagre de um grupo de camponeses lutando contra um exercito organizado, tendo como única arma a certeza de que a alternativa seria a vitória ou a destruição total. Tivemos também o milagre do triunfo de poucos contra muitos, de fracos contra poderosos, de piedosos contra ímpios. Finalmente, o último milagre, o de restabelecimento de soberania nacional judaica.

Mas a vitória militar foi efêmera. Com o tempo os netos daqueles bravos guerreiros se helenizaram e, apenas 200 anos depois, o Templo foi destruído e a nação judaica se dispersou. Além disso, os rabinos que escreveram a Guemará quiseram fixar e reforçar esta festividade. Queriam que os valores de Chanuká não se perdessem e que adquirissem uma transcendência eterna, apesar das alternativas históricas. Por isso juntaram um conteúdo mais espiritual e duradouro: o milagre do azeite.

Os rabinos do Talmud se perguntaram: Aos 25 de Kislev começam os dias de Chanuká. São oito dias nos quais é proibido afligir-se e jejuar. Quando os gregos entraram no Templo profanaram todo o azeite armazenado. Assim que os chasmoneos estabeleceram seu poder, procuraram e encontraram somente uma vasilha de azeite com o selo do Sumo Sacerdote intacto. Mas havia azeite suficiente para um só dia. Ocorreu então um milagre e este azeite durou oito dias (tempo suficiente para que pudessem fabricar azeite novo e assim manter aceso o fogo eterno da Menorá). Este é o milagre que acendemos nossas Chanukiót a cada noite, durante os oito dias de Chanuká. Mas Chanuká não termina aqui. Na realidade, apenas começa.

 Como acendemos a Chanukia:

Seqüência de acendimento das velas:

Acende-se primeiro a vela shamash (S) e, com a shamash, acendem-se as demais (cada número é uma vela na sua seqüência e posição na chanukiá).

Depois do acendimento das velas, medite no significado do dia, e em que sentido a energia disponível pode atuar na sua vida.

Estamos representando, a seguir, as 9 posições da chanukiá. Geralmente a posição da vela shamash vem em destaque (um pouco acima das demais ou atrásda composição). Colocamos aqui na extrema direita (S) como referência. Os números representam a seqüência de acendimento depois da vela shamash  e os "[]" representam os espaços que permanecerão vazios (sem velas) a cada dia.

Bênçãos de Chanucá

  • Baruch ata A’donai, Elohênu mélech haolam, asher kideshánu, bemitsvotav vetsivánu, lehadlik ner shel Chanucá.
  • Baruch ara A’donai, Elohêinu mélech haolam, sheassa nissim laavoTênu, baiamim hahem bazeman haze.
  • (apenas na 1ª noite) Baruch ata Adonai Elohêinu mélech haolam, shehecheiánu vekiiemánu vehiguiánu lazeman haze.

Dia 1 24/12:: [] [] [] [] [] [] [] 1 S – Acender so após o final de shabat (20:35hs)

Dia 2 :25/12: [] [] [] [] [] [] 1 2 S

Dia 3 :26/12: [] [] [] [] [] 1 2 3 S

Dia 4 :27/12: [] [] [] [] 1 2 3 4 S

Dia5: 28/12: [] [] [] 1 2 3 4 5 S  

Dia 6 :29/12: [] [] 1 2 3 4 5 6 S

Dia 7 :30/12: [] 1 2 3 4 5 6 7 S - Acender antes das velas de Shabat (19:36hs)

Dia 8 :31/12: 1 2 3 4 5 6 7 8 S – Acender só após o final do Shabat (20:35h)

Oração Hanerot Halálu:

Depois do acendimento das velas recita-se:

Estas velas nós acendemos por causa dos milagres, maravilhas, salvações e guerras que fizeste aos nossos antepassados, naqueles dias, nesta época, pelas mãos dos Teus santos sacerdotes. Por isso estas velas são sagradas todos os oito dias de Chanucá, nem estamos nós permitidos de fazer qualquer uso delas senão o de olhá-las, a fim de que possamos dar agradecimentos a Teu Nome por Teus milagres, obras maravilhosas e salvações.

 O dreidl?

O pião ou Dreidl tem 4 caras com uma letra em cada cara:

A letra Nun , a Guimel  , a Hei  e a Shin
Estas letras formam as palavras Nes GAdol Haiá Shám, que significam: "Um grande milagre aconteceu la" (em Israel). Cada jogador poe no poço uma moeda de verdade o uma de chocolate, e se sorteia quem inicia o jogo. De acordo coma letra que sair cada jogador devera: Nun = Não leva nem poe nada, Guimel = Leva todo o poço, Hei = Se leva a metade do poço e Shin = Deve colocar uma moeda no poço.