A Sinagoga da Rua Eldredge

Estávamos caminhando na Chinatown de Nova York, minha esposa, eu e um casal de amigos israelenses, e estes nos levaram a conhecer uma antiga sinagoga, extremamente bonita e que foi a terceira sinagoga construída na ilha de Manhattan. Ela é hoje um museu.

 A Sinagoga da Rua Eldredge, atualmente um museu

A Sinagoga da Rua Eldredge, atualmente um museu

O primeiro grupo importante de judeus em Nova York aí chegou quando a cidade se chamava Nova Amsterdam e era um domínio holandês. Eles lá chegaram em setembro de 1654, vindos de Recife, quando a cidade foi reconquistada pelos portugueses. Eram 23, mas parece que alguns deles preferiram ir para a Holanda. Poucas semanas antes deles chegaram alguns judeus ashkenazim que se reuniram aos sefaradim de Recife. A primeira sinagoga, a Congregação Shearith Israel, foi fundada por eles em 1682, mas o prédio só ficou pronto em 1730. Parece que ao redor de 1720 já havia mais membros ashkenazim do que sefaradim, mas a sinagoga manteve os costumes sefaradim.

Após as guerras napoleônicas muitos judeus ashkenazim chegaram em Nova York e fundaram a segunda sinagoga, a B'nai Jeshurun, em 1825. 

Entre 1880 e 1924 ocorreu uma imigração em massa em Nova York, em virtude de leis antijudaicas na Rússia, após assassínio do czar Alexandre II. O crime foi atribuído aos judeus e isso tornou os pogroms mais numerosos e mais agressivos, muitas vezes induzidos pelo próprio governo, o que fez com que dois milhões de judeus emigrassem para os Estados Unidos. Cerca de metade deles se estabeleceu em Nova York e 75% dos membros do grupo se instalaram na parte leste do sul da ilha (Lower East Side). Quase todos vieram da Rússia e da Polônia.

A Sinagoga da Rua Eldridge foi inaugurada no dia 4 de setembro de 1887, praticamente na época das Grandes Festas. Sua beleza, que vocês podem observar na galeria de fotos, contrastava intensamente com as moradias pobres ao seu redor.

                                                       Clique na gravura para ver a próxima...

A sinagoga floresceu durante 50 anos. Ao longo do tempo, contudo, os habitantes judeus do Lower East Side se mudaram para outras áreas de Manhattan e a sua frequência foi declinando, até ficar praticamente fechada por cerca de 50 anos. Na verdade, somente o seu porão foi utilizado para serviços religiosos durante este tempo.

Em 1996 a Sinagoga recebeu o status de Monumento Histórico Nacional e diferentes grupos, incluindo o Fundo Nacional de Preservação Histórica, contribuíram com 20 milhões de dólares para reconstruí-la. E assim ela foi convertida em Museu, sendo reinaugurada em dezembro de 2007, ao completar 120 anos de existência.

Uma pequena congregação, Kahal Adath Jeshurun, ainda realiza seus serviços religiosos neste edifício. Na verdade, eles provêm de famílias que compareceram à Sinagoga ininterruptamente desde a sua criação.

                                                                      Pedro Luiz Mangabeira Albernaz

 

Conecta | culinária para pessach

Saiba mais sobre o

CHEF SIC DAVID G. MARZAN

Nascido no Chile e criado e formado na França como Chef Cuisinier e Administrador de Empreendimentos Hoteleiros pela renomada Universidade de Lyon, acumula mais de 35 anos de experiências fora e dentro do Brasil. Nos seus inícios profissionais estão passagens pelas redes Sheraton, Hilton, Steigenberger entre outras no âmbito internacional. Acumula gerenciamento nas áreas e A&B ou Operacional de hotéis na Argentina, Chile, México e USA. Na Argentina e como empresário foi proprietário do Restaurante Montmartre em Buenos Aires conquistando títulos e prêmios com uma destacada cozinha francesa de alta escola. Em Bariloche se destaca novamente ao frente gerencia de A&B e da cozinha do Restaurante Los Cesares – Hotel Llao  Llao. Novamente em B. Aires comanda o setor de A&B do Hotel Claridge. 

Teve participação de destaque na criação da grade curricular de estudos da primeira Escola de Hotelaria de Bariloche, entidade associada à Associação de Hotéis de Bariloche e a Universidade de Neuquen. Também foi professor na INACAP – Instituto de Capacitação de Santiago de Chile. Novamente como empresário cria o Restaurante Eglantine de Viña del Mar, uma cozinha de alto padrão e qualidade que é reconhecida com prêmio no certame nacional da ACHIGA. Acumula prêmios e reconhecimentos em certames internacionais de cozinha como os de Santiago de Chile, de México, de Argentina, de Espanha entre outros.  

Já no Brasil desde 2001, gerenciou as cozinhas de renomados restaurantes e assumiu gerencias de A&B ou Operacionais. Como Gerente de A&B da Rede Slaviero desenhou e criou novos cardápios para o Restaurante Le Doyan e de room service. Em São Paulo, esteve a cargo da cozinha do Restaurante Avila – Parrilha Argentina. Também em São Paulo assume como Chef Executivo no Buffet Goody Kosher, estabelecimento de destaque na culinária judaica kosher da capital. A Goody executa com um alto nível de qualidade eventos de grande porte como casamentos, bar e bat mitzvá e brit milá dentro âmbito da comunidade judia local e nacional. Foi neste médio que cria a primeira “paella kosher” e por esta é convidado ao “Concurso Internacional Paella for the World” de New Jersey para apresentar-la a comunidade americana.

Procurado pela “WInn Hotels & Offices” – empresa do “Grupo WCon” de Paraná – assume como gerente Operacional no Hotel Boulevard de Londrina. No comando do Hotel, efetua atualizações dos cardápios de room service, de Restaurante e de Bar. No comando de 80 funcionários conseguiu colocar o Hotel num lugar de destaque dentro da hotelaria local, estadual e nacional. Atualmente a disponibilidade da empresa. Participa como Chef nas aulas show nas Ilhas Gourmet da Equipotel 2015, com duas apresentações de grande sucesso.

  Conheça os pratos

    

SALADA    Ceviche Peruano
Peixe branco (S. Peter ou Linguado) 
Cebola roxa
Limão Tahiti
Coentro ou salsinha
Sal – pimenta dedo de moça
Opcional: milho verde ou batata doce    
        
ENTRADA QUENTE    Ovo Benédictìne
Salmão defumado
Ovo
Maionese
Cebolinha
Sal – pimenta do reino preta
Limão siciliano

Blini kosher
Farinha
Ovo
Açúcar
Sal
água    
1 fatia por porção
1 ovo por porção
1 vidro rende 15 porções
1 varinha por porção
Uma pisca
½ limão por porção

        
PRATO PRINCIPAL    Steak grill
Fraldinha/ steak grill kosher
Óleo ou azeite
Cebola
Alho
Sal – pimenta do reino preta

Mix de Cogumelos:
Shiimeji
Shiitake
Champignon
Cebola
Alho
Molho Shojo    
1 kg rende 8 porções
1 lt rende 100 porções
1 unid media rende 5 porções
1 dente por porção
Uma pisca

        
PRATO PRINCIPAL    Risoto de arroz preto

Arroz preto
Azeite
Ervilhas frescas ou aspargos frescos
Salmão fresco
Leite de coco
Margarina
Sal – pimenta do reino preta
Caldo de ave     
        
SOBREMESA    Haroset
Figo seco
Tâmaras
Passas de uva branca
Vinho tinto doce
Farinha de arroz ou de batata

Tu B’ShvaT

Rabino Arthur Waskow*

Quem poderia imaginar que um grupo de místicos iria escolher um dia como o da entrega das declarações do Imposto de Renda para fazer um festival comemorativo do renascimento de Deus?

Pois foi exatamente isto que um grupo de Cabalistas, em Safed, fez no século XVI. Foi quando eles recriaram o Tu B'Shvat.

d:/imagens/tu b'shvat

O Tu B'Shvat, a lua cheia no meio do inverno, foi um festival importante na época do Templo, no calendário dos dízimos. Ele assinalava o final do “ano fiscal” para as plantas. Para os frutos que nasciam antes dessa data os impostos eram devidos no ano anterior, para os que nasciam depois os impostos eram pagos no ano seguinte.

O Talmud denomina esta data como o “Ano Novo das Árvores.”

Mas, para os Cabalistas, ele era também o Ano Novo da Árvore da Vida, da própria essência de Deus, a Árvore cujas Raízes estão no Céu e cujos Frutos são o próprio Mundo e todas as criaturas de Deus. Para celebrar o reacordar das plantas, e particularmente o reacordar da Árvore da Vida, bem no meio do inverno, eles criaram um Seder místico que honra os Quatro Mundos: Ação, Relação, Conhecimento e Ser. Esses Quatro Mundos eram representados por quatro taças de vinho e quatro pratos com nozes e frutas, iniciando a refeição pelas frutas menos permeáveis e terminando-a com frutas quase etéreas, uma vez que o Mundo do Ser é totalmente espírito.

O significado simbólico desse Seder atinge profundidades ainda maiores: ecos da geração e regeneração nos mundos das plantas e dos animais, os ciclos de vida das plantas, a geração de alimentos que não requerem mortes, nem mesmo de plantas; nossas plantas, em vida, produzem frutos e sementes em tal profusão que podem alimentar até as gerações futuras.

As quatro taças de vinho eram de cor vermelha, rosa escura, rosa clara e branca, ecoando a geração e regeneração dos animais, inclusive a raça humana. Isso porque o vermelho e o branco, na tradição antiga, eram considerados as cores da geração. Sua mistura representava, para eles, a mistura de sangue e sêmen que, para os antigos, denotava a procriação.

Mas por qual razão os Cabalistas de Safed relacionavam esses impulsos primitivos de abundância com a data do dízimo das frutas? Porque eles acreditavam que a shefa, a abundância, criada por Deus, continuaria a existir apenas se uma pequena parte fosse devolvida a Deus, o possuidor de toda a Terra e de toda a abundância.

E quem eram os coletores de impostos de Deus? Os pobres, inclusive os sacerdotes e mestres que não possuíam terras, e cuja missão era ensinar e celebrar.

Estes místicos observaram o grande significado das oferendas. Para eles, comer sem antes abençoar as árvores era roubo; comer sem compartilhar os alimentos com outros era roubo. Pior ainda: sem abençoar e sem compartilhar, o fluxo da abundância iria murchar e cessar.

O Tu B'Shvat está novamente próximo. As árvores do mundo se encontram ameaçadas, os pobres do mundo passam necessidades, os professores e celebrantes estão em risco.

Faça as suas oferendas! Ou o fluxo da abundância se destruirá com os atritos de sua própria produção, e a Essência de Deus sofrerá com a nossa falta de compaixão. 

---

O Rabino Arthur Waskow, fundador do Shalom Center, é um importante rabino ligado ao Movimento Renovador. 

Beth-El on Broadway

No dia 16 de agosto de 2015 apresentamos o show Beth-El on Broadway, uma homenagem a compositores judeus do teatro musical americano

Os seguintes textos foram lidos entre as apresentações musicais.

INTRODUÇÃO

    Este evento da Beth-El é uma homenagem a alguns famosos compositores judeus que se imortalizaram no teatro musical americano. Vamos contar um pouco da sua história e cantaremos algumas de suas canções.

    Esta noite é dedicada a Max Feffer Z’L, um homem que, além de se dedicar à Beth-El, amava a música. Na verdade, ele amava todas as canções que vamos apresentar esta noite.

    A imigração judaica para os Estados Unidos foi significativa e importante. Estes imigrantes ofereceram muito de si ao país que os recebeu de braços abertos.

    Uma das áreas em que a contribuição judaica foi muito rica foi a música. Os compositores judeus, além de comporem canções, lutaram contra os preconceitos e participaram das lutas pelos direitos humanos.
    
    Os espetáculos musicais da Broadway não nasceram nos Estados Unidos, nasceram em Viena. Os primeiros compositores de operetas haviam emigrado da Áustria, entre eles Rudolf Friml e Sigmund Romberg.

    Mas aos poucos foi nascendo uma linguagem musical totalmente americana.


JEROME KERN

    O primeiro compositor popular tipicamente americano, com uma linguagem totalmente desvinculada da tradição européia, foi Jerome Kern. Sua capacidade de criar melodias bonitas era fantástica e ele foi o “ídolo” de George Gershwin e Richard Rodgers.

    Em 1927 Kern e Oscar Hammerstein II revolucionaram o musical da Broadway criando, pela primeira vez, um teatro com enredo complexo. Antes disso havia apenas histórias tolas e músicas bonitinhas. Deve ter sido um choque ver uma peça de teatro cujas canções se encaixavam perfeitamente no enredo, e um enredo que tinha um pouco de tudo: problemas raciais, miscigenação, jogo, álcool, romance e infelicidade. Assim foi Show Boat, uma obra prima que, de tempos em tempos, volta aos palcos de Nova York e de Londres, por ter-se tornado imortal. E que foi adaptada três vezes para o cinema. 


IRVING BERLIN

    Irving Berlin foi um dos compositores mais populares dos Estados Unidos, tendo escrito mais de 1500 canções. Seu verdadeiro nome era Israel Isidore Baline. Ele nasceu na Sibéria em 1888 e faleceu em Nova York com 100 anos de idade.
    Sua família se mudou para Nova York quando ele tinha 5 anos. Seu pai, que era um chazan, faleceu quando ele tinha 8, deixando sua família em situação econômica difícil. Por isso, aos 8 anos de idade, ele começou a vender jornais. Depois começou a compor canções, escrevendo também as suas letras.
    Sua educação musical era limitada. Ele compunha usando basicamente as teclas pretas do piano. Para conseguir tocar em tons diferentes ele mandou construir um piano que tinha um teclado deslizante, que lhe permitia tocar em outros tons. Este piano, apelidado de “Buick,” foi doado pelo compositor, em 1973, ao Instituto Smithsonian, em Washington.
    Nas duas Guerras Mundiais Berlin foi ao “front” entreter soldados. Em uma de suas viagens da Segunda Guerra Mundial percebeu que os soldados estavam tristes porque o Natal estava se aproximando e eles estavam longe de suas casas. Sua sensibilidade fez esse compositor judeu criar a mais linda das canções americanas de Natal, White Christmas.


GEORGE GERSHWIN

    George Gershwin nasceu no Brooklyn, em Nova York em 1898 e faleceu em  Beverly Hills, na Califórnia, em 1937, vítima de um tumor cerebral benigno que hoje seria facilmente operável. É difícil imaginar o que ele teria feito se não tivesse falecido aos 38 anos de idade.

    Aos 16 anos ele começou a trabalhar como pianista e promotor de canções. Um dia procurou um emprego na firma musical de Irving Berlin. Este o ouviu tocar e lhe disse: “Não, George, não vou contratá-lo. Se você vier trabalhar comigo você será um Irving Berlin nº 2. Sozinho você será um Gershwin nº 1.”

    Irving Berlin percebeu que a música de Gershwin tinha harmonias originais e complexas;  ele foi um dos primeiros compositores populares a introduzir o jazz na música popular. Quando lhe perguntavam porque a sua música era tão complexa, ele invariavelmente respondia: “Eu a sinto assim...”

    George contou com um grande colaborador, seu irmão Ira, autor de lindas letras para suas músicas.

    Em 1924 o maestro Paul Whiteman, que regia uma orquestra extremamente popular na época, pediu a Gershwin que compusesse uma suite orquestral para piano e banda de jazz. Assim, em uma noite de gala, Gershwin tocou ao piano, acompanhado da orquestra de Whiteman, a sua Rhapsody in Blue, que foi um estrondoso sucesso.

    Depois vieram o Concerto em Fá, o poema sinfônico An American in Paris, e várias outras composições clássicas. 

    Um dia os irmãos Gershwin foram ao teatro ver uma peça chamada Porgy, escrita por Dorothy Heyward e baseada em um conto de seu marido DuBose Heyward.

    No dia seguinte George telefonou para DuBose Heyward e lhe disse convictamente: “Nós vamos fazer uma ópera.” E assim nasceu Porgy and Bess.


RICHARD RODGERS

    Richard Rodgers viveu a maior parte da sua vida em Nova York, onde nasceu em 1902 e faleceu em 1979. 
    Foi no seu tempo de universidade que ele conheceu Lorenz Hart, um filho de atores do teatro iídiche de Nova York, que durante muitos anos escreveu as letras de suas músicas. Larry Hart foi um letrista fantástico, de intensa cultura e sofisticação. Manhattan, uma canção que até hoje ouvimos com freqüência, foi o primeiro sucesso da dupla, publicado em 1925. Fizeram, juntos, inúmeros shows e escreveram canções para muitos filmes.

    Mas Larry Hart era alcoólatra, e trabalhar com ele, ao longo do tempo, tornou-se cada vez mais difícil. Em 1942 Rodgers procurou Oscar Hammerstein II e começaram a trabalhar juntos. O primeiro musical de Rodgers e Hammerstein, Oklahoma!, estreou em março de 1943. Foi nesse mesmo ano que Hart  morreu, de pneumonia, aos 48 anos de idade.

    A música de Rodgers e Hart é totalmente  diferente da de Rodgers e Hammerstein. Hart vinha do mundo das revistas musicais, Hammerstein vinha do mundo da opereta. Os shows de Rodgers e Hammerstein foram espetáculos completos, fantásticos no teatro. Depois de Oklahoma! vieram Carousel, South Pacific, Allegro, The King and I... A forma de trabalhar era diferente. A filha de Rodgers, Mary, também compositora, conta que seu pai trancava a porta do estúdio, para que Hart não pudesse fugir, e tocava a melodia diversas vezes até a letra ficar pronta; só aí o deixava ir embora. Com Hammerstein a letra vinha quase sempre primeiro. Eles discutiam cuidadosamente a cena, os personagens e quem cantaria a canção antes de começar a escrevê-la. Muitas vezes nem trabalhavam juntos, Rodgers ficava em Nova York e Oscar em Connecticut, e se comunicavam pelo telefone.

    Certo dia Rodgers e Hammerstein foram ao cinema assistir um filme alemão que contava a história verídica de um grupo de cantores, a Família Trapp. E daí veio a idéia do último musical que fizeram juntos, The Sound of Music.  


HAROLD ARLEN

    Harold Arlen é menos conhecido, mas tem inúmeras composições famosas, algumas das quais muita gente pensa que são melodias folclóricas. O fato é que este grande homem, tímido e modesto, nunca se preocupou em ser famoso, preferindo permanecer sempre nos bastidores, com uma vida bem tranqüila.

    Arlen, cujo verdadeiro nome era Chaim Arluck, nasceu em Buffalo, no estado de Nova York, em 1905, e faleceu em Nova York em 1986. Seu pai era também um chazan, e daí vieram as suas primeiras experiências musicais. Aos sete anos de idade ele cantava no coro da sinagoga e dois anos depois começou a ter aulas de piano, aprendendo a tocar os Estudos de Chopin. Mas aos 12 ele descobriu o jazz e rapidamente se esqueceu do Chopin.
 
    Sua primeira canção, Get Happy, de 1931, fez um enorme sucesso, e o levou a ser convidado para escrever as canções do Cotton Club, o famoso cabaré do Harlem. Nessa época ele escreveu muitas canções que se tornaram clássicas, como Stormy Weather, Let’s Fall in Love, etc. A extraordinária cantora Lena Horne, que  estreou no Cotton Club com 16 anos de idade, foi a grande intérprete de Stormy Weather.

    Daí a ser convidado para Hollywood foi apenas um pequeno passo. Todos vocês devem se lembrar de ouvir Judy Garland cantando Over the Rainbow no filme “O Mágico de Oz.” Sim, Over the Rainbow é uma das lindas canções de Arlen que se tornaram clássicas. E foi a primeira canção a receber um Oscar da Academia de Cinema; até então o prêmio não incluía essa modalidade.

    Ele escreveu muitas músicas para filmes, além de musicais da Broadway. Os filmes foram esquecidos, mas suas melodias continuam vivas.


KURT WEILL

    Kurt Weill foi um caso muito especial de compositor que se dedicou tanto à música clássica quanto ao teatro musical, e que teve carreiras diferentes na Alemanha e nos Estados Unidos, com um breve interlúdio em Paris.

    Kurt Weill nasceu em Dessau, na Alemanha, em 1900. Como George Gershwin e Harold Arlen, foi também filho de um chazan, e demonstrou talento musical desde criança.

    Em 1926 resolveu dedicar-se ao teatro musical, e contou com a colaboração de Bertolt Brecht, um poeta e autor teatral por quem Weill tinha grande admiração. Escreveram várias óperas, sendo a mais famosa a Dreigroschenoper (A Ópera dos Três Vinténs), que foi apresentada aqui em São Paulo pela cantora Leny Eversong durante vários anos. Na Broadway foi exibida durante 8 anos seguidos.

    Com o advento do nazismo, a música de Weill passou a ser considerada “degenerada.” Surgiram campanhas de propaganda contra ele, e havia tumultos durante os espetáculos. Em 1933 Weill fugiu da Alemanha, ficando algum tempo em Paris, onde completou a sua Sinfonia nº 2 e escreveu o musical Marie Galante. E em 1935 Weill viajou para os Estados Unidos com sua esposa, a cantora Lotte Lenya.

    Começa, então, a fase americana de Kurt Weill. 

    Três de seus musicais foram muito importantes. O primeiro, Knickerbocker Holiday, fez apenas um pequeno sucesso, mas uma de suas canções se tornou um clássico da música da Broadway: September Song.

    O segundo foi um grande sucesso: Lady in the Dark, um musical sobre psicanálise, escrito por Moss Hart. Ira Gershwin escreveu as letras das canções, seu primeiro trabalho após a morte de seu irmão George em 1937.

    A peça seguinte, One Touch of Venus, com letras do poeta Ogden Nash, levada em 1938, fez ainda mais sucesso, com Mary Martin no papel de Vênus.

    Weill estava escrevendo uma versão musical do Huckleberry Finn, de Mark Twain, quando morreu de um ataque cardíaco, pouco depois de completar 50 anos de idade.


JERROLD BOCK

    Iniciamos nossa apresentação com o tema de Fiedler on the Roof – O Violinista no Telhado, e agora falaremos sobre seu compositor Jerrold Bock.

    Ele nasceu em New Haven, Connecticut, e estudou piano desde criança. 

    Estreou na Broadway em 1955 com o musical Catch a Star e depois colaborou em  Mr. Wonderful, uma peça teatral escrita especialmente para Sammy Davis Jr.

    Logo depois Jerry passou a trabalhar com Sheldon Harnick, que escreveu as letras dos seus musicais desde então. Juntos compuseram Fiorello!, uma biografia musical do grande prefeito  de Nova York, Fiorello La Guardia. Fiorello!  recebeu um Tony Award de Melhor Musical do ano e o prêmio Pulitzer de Drama, raramente concedido a musicais. Durante o período em que residi nos Estados Unidos tive a oportunidade de ver Fiorello! Nunca me esqueci da canção em que o candidato a prefeito faz seu comício ora em inglês, ora em italiano, ora em iídiche, dependendo da região de Nova York em que se encontrava. 

    Em 1964 Bock e Harnick compuseram Fiddler on the Roof. Este musical estreou em um pequeno teatro fora da Broadway, pois os produtores acharam que o tema judaico não interessaria à população de Nova York de forma geral. Estavam errados, e logo tiveram que se mudar para a Broadway. 

   Bock falou no funeral de Joseph Stein, o autor do texto do Violinista no Telhado, que faleceu aos 98 anos. E morreu 10 dias depois, de um ataque cardíaco, um mês antes de completar seus 82 anos.


LEONARD BERNSTEIN

      Leonard Bernstein foi um dos maiores músicos americanos do século XX. Como Kurt Weill, ele se dedicou tanto à música clássica como à música popular. Mas, além disso, foi um grande pianista e um grande maestro, regendo numerosas orquestras sinfônicas. Durante muitos anos dirigiu a Orquestra Filarmônica de Nova York. Gravou composições de inúmeros compositores clássicos, e compôs tanto obras clássicas como música para a Broadway. Bernstein regeu mais concertos do qualquer outro maestro e gravou mais de 400 discos clássicos. Viajou extensamente por todo o mundo. Teve um longo  relacionamento com Israel, que se iniciou em 1946, quando ele foi o regente convidado do Festival Internacional de Música em Tel Aviv. Suas participações em eventos israelenses continuaram até a sua morte, em 14 de outubro de 1990.

    Ele compôs numerosas obras clássicas, inclusive três sinfonias. Sua Sinfonia nº 3, dedicada a John Fitzgerald Kennedy, tem o subtítulo Kaddish, e foi apresentada pela primeira vez pela Filarmônica de Israel em 1963.

    Para a Broadway compôs On The Town, Wonderful Town, Candide, West Side Story e 1600 Pennsylvania Avenue.

    Uma canção de West Side Story, Somewhere, se tornou, um tanto inesperadamente, um verdadeiro hino contra todos os tipos de preconceitos. Diana Ross a cantou, chorando, no funeral de Martin Luther King. Neste funeral houve uma importante presença judaica: o profeta Abraham Joshua Heschel, convidado pela viúva de King para organizar a cerimônia. 

    Estas foram as palavras de Diana Ross após cantar Somewhere:

    Sim, existe um lugar para cada um de nós. Onde o amor é como uma paixão, ardente como o fogo. Que os nossos esforços sejam tão destemidos como os do Dr. Martin Luther King. Ele tinha um sonho! Que todos os filhos de Deus, negros, brancos, judeus, protestantes e católicos possam, juntos, de mãos dadas, cantar um spiritual: “Somos todos livres! Finalmente somos livres, Graças a Deus, somos todos finalmente livres.” 

NOSSAS CANÇÕES

Tema de “Fiedler in the Roof” (Jerry Bock) – Pedro Della Rolle
Ol’ Man River (Jerome Kern - Oscar Hammerstein II) – Marcio Besen
The Way You Look Tonight (Jerome Kern - Dorothy Fields) – Patricia Nacle
All the Things You Are (Jerome Kern - Oscar Hammerstein II) – Pedro           Mangabeira
What’ll I Do?  (Irving Berlin) – Daniel Szafran
Blue Skies (Irving Berlin) – Hayley Riemer-Peltz e Pedro Mangabeira
How Deep Is the Ocean (Irving Berlin) – Marcio Besen
Summertime (George Gershwin - DuBose Heyward) – Patricia Nacle

They Can’t Take That Away from Me (George Gershwin - Ira Gershwin) – Hayley Riener-Peltz e Marcio Besen
Someone to Watch Over Me (George Gershwin - Ira Gershwin) – Georgia Besen
The Lady is a Tramp (Richard Rodgers - Lorenz Hart) – Marcio Besen e Georgia Besen
Bewitched (Richard Rodgers - Lorenz Hart) – Pedro Mangabeira
Edelweiss (Richard Rodgers - Oscar Hammerstein II) – Sofia Koln Rudge Ribeiro e Alan Feffer
My Favorite Things (Richard Rodgers - Oscar Hammerstein II) – Dalio Sahm
Stormy Weather (Harold Arlen - Ted Koehler) – Haley Riemer-Peltz
I’ve Got the World on a String (Harold Arlen - Ted Koehler) – Marcio Besen
Over the Rainbow (Harod Arlen - E.Y. Harburg) – Georgia Besen
Speak Low (Kurt Weill - Ogden Nash) – Daniel Szafran
My Ship (Kurt Weill - Ira Gershwin) – Pedro Mangabeira
September Song (Kurt Weill - Maxwell Anderson) – Marcio Besen
Sunrise, Sunset (Jerry Bock - Sheldon Harnick) – Patricia Nacle e Marcio Besen
Somewhere (Leonard Bernstein - Stephen Sondheim) –     Pedro Mangabeira, Hailey Riemer-Peltz, Georgia Besen, Patricia Nacle e Marcio Besen.


Músicos: 

Alan Feffer (violão), Dalio Sahm (teclado), Daniel Szafran (teclado), Ruben Feffer (teclado), Ubaldo Versolato (flauta, saxofone, clarinete)

Galeria

Clique na foto para mudá-la...

 

Gravação oo vivo do Show Beth-El on Broadway

postado por Pedro Luiz Mangabeira Albernaz